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A Teocracia de Guerra: a instrumentalização da fé no conflito russo-ucraniano

Nota: As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição deste site.


O presidente russo Vladimir Putin e o patriarca Kirill de Moscou no Dia da Unidade Nacional em Moscou, Rússia, 4 de novembro de 2019
O presidente russo Vladimir Putin e o patriarca Kirill de Moscou no Dia da Unidade Nacional em Moscou, Rússia, 4 de novembro de 2019. (Foto: REUTERS/Shamil Zhumatov/Pool)

O conflito entre Rússia e Ucrânia é frequentemente analisado sob a ótica de mísseis, sanções e alianças militares. No entanto, há uma camada mais profunda e invisível que sustenta a agressão do Kremlin: a fé instrumentalizada. Em meu mais recente artigo, publicado originalmente no Centro de Estudos das Relações Internacionais, exploro como a Igreja Ortodoxa Russa deixou de ser uma instituição puramente espiritual para se tornar o pilar ideológico do expansionismo de Vladimir Putin, resgatando conceitos medievais para justificar uma invasão moderna.


O coração dessa estratégia reside na doutrina do Russkiy Mir (Mundo Russo) e na mística da "Santa Rus". Ao afirmar que russos e ucranianos partilham de uma "única pia batismal" e que Kiev é o berço espiritual inalienável de Moscou, o Patriarcado de Moscou remove a soberania ucraniana do campo político e a transfere para uma jurisdição espiritual. Nessa lógica, a guerra não é apresentada como uma disputa por terras, mas como uma cruzada metafísica necessária para salvar a alma russa de uma suposta decadência moral vinda do Ocidente.


Essa sacralização do conflito impõe um perigo sem precedentes à diplomacia internacional. Quando adversários geopolíticos são rotulados como "inimigos de Deus" e o campo de batalha é descrito como um espaço de purificação de pecados, as vias de negociação são bloqueadas. Não se negocia o sagrado. A fusão entre os interesses do Estado e a vontade divina gera um imperialismo religioso que desumaniza o outro e transforma compromissos territoriais em atos de apostasia, tornando o fim das hostilidades um nó quase impossível de desatar.


Ao longo do texto completo, analiso como essa "Internacional Conservadora" russa tem buscado aliados até mesmo dentro de democracias liberais, infiltrando-se em guerras culturais para fragmentar a resistência global. É um alerta sobre o suicídio moral de uma instituição que, ao abençoar a destruição de templos e a morte de fiéis, condena a própria fé ao isolamento.


Para ler a análise completa e detalhada sobre o imperialismo religioso, acesse o artigo na íntegra: https://www.ceresri.org/post/a-teocracia-de-guerra-a-instrumentalização-da-fé-no-conflito-russo-ucraniano


Indicamos estes livros para quem deseja se aprofundar no tema:

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