O que esperar da aliança Índia-UE?
- João Pedro Nascimento

- 11 de mar.
- 2 min de leitura
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O acordo comercial firmado entre a União Europeia e a Índia em janeiro de 2026 foi apresentado como um marco histórico na reorganização do comércio global. Ao criar uma ampla zona de livre comércio entre o maior bloco econômico do mundo e o país mais populoso do planeta, o pacto conecta cerca de 2 bilhões de consumidores e aproximadamente 25% do PIB global. O entendimento prevê reduções tarifárias profundas em setores como automóveis, bens de luxo e alimentos, abrindo novas oportunidades para empresas europeias em um dos mercados que mais crescem no mundo.
Por trás da retórica otimista, entretanto, o acordo também revela uma aposta estratégica de alto risco. A iniciativa está ligada à estratégia de friendshoring, que busca deslocar cadeias produtivas para países politicamente alinhados, reduzindo a dependência europeia da China e mitigando incertezas geopolíticas. Contudo, há dúvidas sobre o grau de alinhamento político de Nova Délhi. Sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi, a Índia mantém uma política externa pragmática e multivetorial, preservando relações econômicas relevantes tanto com a Rússia quanto com Pequim.
No plano econômico interno da Europa, o acordo também levanta preocupações. Enquanto setores de alta tecnologia e luxo podem se beneficiar da abertura do mercado indiano, indústrias tradicionais europeias, especialmente no sul e leste do continente, temem uma nova onda de desindustrialização diante da competitividade da manufatura indiana. Nesse contexto, o verdadeiro desafio para a Europa será transformar o acordo em um instrumento de fortalecimento estratégico, evitando que a parceria comercial acabe contribuindo para a ascensão de um novo competidor industrial global.
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